Os fatores que me levaram a entrar na Unisinos em 2001/2 foram muitos na época. Quando questionavam se a minha escolha acontecera por causa da qualidade de ensino, respondia que não. Nem sabia se a Unisinos era melhor ou pior que as outras opções do Estado. Mas, na época, era a melhor opção em termos financeiros, pela possibilidade de não se fazer todas as cadeiras do semestre, e pelo baixo valor das mensalidades. Havia ainda a possibilidade de se conseguir uma bolsa-fliantropia, o que é um alívio na realidade de um estudante que trabalha por uma mixaria, sem vínculo empregatício na maioria das vezes, trabalhando tanto quanto um profissional, tendo que se submeter a este sistema em nome da “experiência”.
Com o passar dos anos, a Unisinos aumentou a sua mensalidade e praticamente igualou o preço dos créditos com as das outras universidades. A obrigatoriedade das cadeiras foi questionada por um período, mas retornou ao que era antes. A qualidade de ensino caiu vertiginosamente (demissão de bons professores e a migração de alguns para outras universidade – inclusive federais – já justificam o que eu digo), e agora o cancelamento das bolsas-filantropia.
Aqueles que visitarem a comunidade Jornalismo-Unisinos no orkut verão o relato da colega Gisele em obter informações sobre o fim desse benefício que ajudou muitas pessoas a conquistarem seu tão sonhado diploma. E que, pelo jeito, não vai ajudar nem a Gisele, nem a mim (que também estou tentando há muito tempo), e nem a NINGUÉM!
De uma forma resumida, a resposta da Unisinos foi a seguinte: a universidade, por ser uma entidade filantrópica, concedia as bolsas para os alunos, tendo em troca alguns benefícios fiscais. Com a criação do ProUni pelo Governo Federal, as bolsas foram canceladas para dar lugar ao novo projeto de educação. Alegando que não poderia manter as duas filantropias, mais o Programa de Apoio e Incentivo à Formação de Professores, decidiram por cancelar, o que acredito, o que seria mais vantajoso para os alunos, e manter o que seria mais lucrativo para a instituição.
Só que conhece o ProUni sabe que todo programa assistencialista do Governo tenta tapar o sol com a peneira, e que ele dá preferência aos estudantes que cursaram o ensino médio em colégio público, aos que ganham renda familiar inferior a R$ 600. Isso sem falar nas cotas aos deficientes e negros, que para mim é uma forma de discriminação sem precedentes.
A resposta da Unisinos para a minha colega foi a de que ela faça o Enem e tente a bolsa-auxílio do ProUni. Ou que busque outras formas de apoio.
Aliás, ela também levanta uma questão bem pertinente: o DCE vai fazer alguma coisa dessa vez, ou vai nos deixar à deriva? E quando falo em “fazer alguma coisa”, não me refiro a enterros simbólicos com caixões de papelão pra mostrarem o quanto são politizados.
E você, caro colega? Vai ler este texto e ficar indiferente? Dizer “ah, que texto bonitinho o Piero escreve”? Isso é grave, e é para o bem de todos nós!
Proponho a todos um bombardeio de e-mails para a Unisinos cobrando o retorno da bolsa-filantropia. Usem o formulário de contato do site ou o e-mail da Diretoria de Ação Social e Filantropia da Unisinos – anunes@unisinos.br .
Vamos provar pra Unisinos que somos mais do que clientes/consumidores!